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Por que as sessões do Chrome normal não são mais transferidas

Uma situação conhecida: um computador novo ou uma reinstalação do Windows — e todos os sites pedem para entrar de novo. Dezenas de serviços, confirmações por e-mail e telefone, uma senha esquecida aqui, um acesso perdido ao e-mail que recebe o código ali. Antes isso se resolvia copiando a pasta do perfil. Agora não mais, e a culpa não é sua.

O que mudou

A partir do Chrome 127, o navegador criptografa os cookies de uma nova forma — o chamado App-Bound Encryption. Só o próprio Chrome consegue descriptografá-los, e só no computador onde o arquivo estava originalmente. Copie a pasta do perfil para outro computador e os cookies viram lixo ilegível; logo na primeira abertura o Chrome os apaga por considerá-los corrompidos. O tamanho está todo lá, mas não há login algum.

Isso foi feito contra programas que roubavam sessões. O efeito colateral é que uma pessoa comum não consegue mais levar os próprios logins para um computador novo com uma simples cópia.

A sincronização do Google não resolve isso

A resposta lógica é entrar na conta do Google e deixar a sincronização trazer tudo. E ela traz: favoritos, histórico, senhas. Mas não os cookies. A sincronização simplesmente não transfere sessões de sites — isso não é algo que ela faça. Então, depois de entrar na conta no computador novo, você recebe seus favoritos de volta e tem que entrar de novo, manualmente, em cada site.

É fácil conferir: entre em uma conta do Google em um computador novo e abra qualquer site em que você estivesse conectado no antigo — ele vai pedir login. Os favoritos já estão lá, as sessões não.

O que dá para fazer a respeito

A chave está em onde você entra no site. Os cookies que o Chrome criptografou com o novo método não podem ser levados. Mas os cookies criados desde o início em um perfil separado podem: eles são transferidos de forma legível, não como um arquivo criptografado.

É exatamente assim que o Morfiade funciona. Cada conta vive no seu próprio perfil isolado, e quando você entra em um site dentro desse perfil, essa sessão se torna transferível:

A diferença é simples: uma sessão do Chrome normal você não consegue mais levar; uma sessão criada pelo Morfiade, consegue, porque desde o início ela fica guardada em um lugar de onde é permitido transferi-la.

Como isso funciona na prática

  1. Você cria um perfil no Morfiade e entra nos sites que precisa dentro dele — um login normal, uma única vez.
  2. Exportar perfis — o programa monta um único arquivo com os perfis, cookies, proxies e suas anotações. Os cookies ficam salvos de um jeito que se abrem em qualquer máquina.
  3. Você leva o arquivo para outro computador e faz a Importação — os perfis voltam junto com as sessões. Abre o site e já está conectado.

O armazenamento e a distribuição são locais: o arquivo fica com você, não em um servidor de terceiros, e o processo não depende da disponibilidade de nenhuma nuvem externa.

E as senhas e logins, como fica

Aqui tudo se resume a uma pergunta: onde elas estão guardadas — no próprio navegador ou na conta do Google. Disso depende se elas viajam ou não.

Nós transferimos os cookies de forma que abrem em qualquer máquina — mas o Chrome criptografa as senhas com uma chave vinculada à conta do Windows. Por isso não dá simplesmente para copiar o arquivo de senhas para outro computador: não há nada lá para descriptografá-lo. Isso vale tanto para as senhas salvas diretamente no navegador quanto para as que estão em uma conta do Google. Para elas existe um caminho separado e confiável — a exportação em arquivo.

Como transferi-las mesmo assim

O Chrome tem seu próprio recurso de transferência por arquivo, e ele funciona justamente onde a conta está aberta:

No computador antigo. Abra chrome://password-manager/settings"Exportar senhas". O Chrome vai pedir para confirmar o login do Windows — é assim mesmo, é uma proteção dele.

No computador novo. Mesmo endereço → "Importar senhas" → escolha o arquivo.

Uma consequência boa: depois da importação, as senhas passam a ser locais. Dali em diante elas viajam sozinhas junto com o perfil, e não será preciso repetir isso.

⚠️ O arquivo de exportação contém todas as suas senhas em texto simples. Apague-o assim que terminar a importação e não o deixe parado na pasta "Downloads".

Nós deliberadamente não fazemos essa etapa por você nem pedimos que confie suas senhas a nós: o arquivo deve passar pelas suas próprias mãos e não aparecer em nenhum outro lugar. O programa roda no seu computador, e as senhas são a única coisa que conscientemente não tocamos de jeito nenhum.

O segundo cadeado, sobre o qual quase ninguém escreve

A encriptação é só metade da restrição. A outra metade chegou no Chrome 136: o browser deixou de aceitar os parâmetros --remote-debugging-port e --remote-debugging-pipe quando corre com a pasta de perfil predefinida. O canal de depuração agora só é permitido em conjunto com --user-data-dir a apontar para uma pasta separada.

Porque é que a Google fez isto: através desse canal, um único comando entrega todos os cookies do perfil — incluindo os que os scripts da página não conseguem alcançar. Assim que a nova encriptação fechou a leitura dos ficheiros, as sessões passaram a ser retiradas por essa via, por isso essa porta também foi fechada.

O que isto significa na prática: nem sequer um programa em que confia e que você próprio iniciou consegue retirar sessões do seu Chrome principal. Não por incapacidade, mas porque o browser não permite — nem por ficheiros nem por depuração. Se alguém lhe prometer o contrário, está a falar de uma versão antiga do Chrome, ou de algo que não devia estar no seu computador.

E a mesma restrição explica porque é que funciona com os perfis do Morfiade: eles vivem numa pasta separada — e uma pasta separada tem a sua própria chave de encriptação e tem um canal de depuração permitido. A diferença não está em nenhum truque, está em onde o perfil se encontra desde o início.

Limites honestos

Para não gerar expectativas erradas:

Resumindo

O Chrome fechou a transferência das próprias sessões de propósito, e a sincronização do Google não as transfere — isso não tem conserto. Mas, se você entrar nos sites pelo Morfiade, as sessões continuam suas e transferíveis: entre computadores, depois de reinstalar o sistema e em várias máquinas ao mesmo tempo. Não é "pare de usar o Chrome", é pare de entrar de novo toda hora.